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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

7 coisas que tenho a dizer para quem odeia o Big Brother Brasil

A 15ª edição do Big Brother Brasil está prestes a começar. E, como sempre, vem acompanhada de muitas críticas. Reprovar o programa se tornou prova de sensatez, enquanto que admitir que o assiste se tornou sinal de alienação e ignorância. De maneira fria e rápida, farei umas considerações:
Melhor imagem de Pedro Bial de todos os tempos!

1. Dos fatores que tiram um programa de TV do ar, campanhas dificilmente conseguem resultado, principalmente quando não são unanimidades ou quando o programa em questão não se enquadra em atividades completamente fora da legalidade. No caso do BBB, bem ou mal, nunca houve algo que realmente ofendesse toda a sociedade de forma contundente a ponto de retirá-lo do ar, ao contrário do que houve, por exemplo, na única edição árabe do programa, em que era inaceitável àquela sociedade a interação entre homens e mulheres por tanto tempo no mesmo ambiente. Diante da reprovação em massa, a edição sequer foi concluída.

2. Como eu já disse certa vez, o BBB é um programa ruim, e tão ruim quanto qualquer outro programa de TV. Mas considerando o potencial nocivo, há coisas muito piores na TV atual, como os programas policiais da hora do almoço que exibem cadáveres ensanguentados sem uma mísera tarja.

3. A audiência do BBB tem caído ano a ano. Por desgaste. Logo, não adianta criar toda uma argumentação científica e filosófica para convencer as pessoas a não assistirem algo que elas simplesmente estão deixando de assistir por falta de interesse.

4. É mais fácil o Big Brother refletir os maus valores que a própria sociedade já tem do que impor seus maus valores a essa sociedade que está longe de ser perfeita.

5. Big Brother é um formato que perdura tanto no Brasil como em países com média de escolaridade bem maior. Portanto, a premissa de que a audiência do BBB é formada unicamente por pessoas ignorantes é mais uma  ideia preconceituosa do que um fato comprovado.

6. Vejo com frequência pessoas criticando o BBB por falta de conteúdo, embora mal saibam a diferença entre ascetismo e hedonismo ou falhem ao tentar localizar a Argentina num mapa-múndi. Quando uma pessoa avalia algo ou alguém como "sem conteúdo" ela usualmente consulta seus próprios valores, conhecimentos e experiências de vida que, na visão de um terceiro, também podem ser suficientes para enquadrarem-na como uma pessoa "sem conteúdo".

7. Há diversões mais edificante que assistir BBB (ou qualquer programa). Ler um livro, por exemplo. Mas há livros tão ou mais fúteis que o BBB. E ninguém está impedido de assistir BBB e ler livros de forma simultânea.

Na verdade, ninguém é (ou não deveria ser) obrigado a nada. Nem a assistir, nem a não assistir. Em outras palavras, em pleno ano de 2015, com tantas opções para quem gosta ou não gosta de qualquer coisa, campanhas anti-BBB não me dão nada além de preguiça.



O Cabrito Maltês é um blog de opinião. Se você não gostou do que leu não se apoquente, não escrevemos para agredir mas para lhe dar a conhecer um ponto de vista sobre o assunto. Abstenha-se de comentários insultuosos, de incitamento à violência, de pregação religiosa ou discriminatórios. Se encontrar algo assim o seu comentário será ruminado.
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domingo, 12 de outubro de 2014

O cão do ébola

O mundo está, mais uma vez, com medo de uma epidemia de proporção bíblica que venha dizimar uma grande parte da população.

São os descendentes dos sobreviventes da peste negra, varíola e gripe espanhola que agora estão apavorados. Tal como naquele tempo, a ignorância pode ser tão letal como a própria doença.

Se na altura da peste negra existia a ideia que bastava usar perto do nariz algumas ervas aromáticas para se proteger de uma doença bacteriana, hoje com o ébola criou-se a ideia que é uma doença de difícil transmissão, uma doença que só se tocar no possuidor da moléstia é que se fica infectado.

Não sou virologista, nem médico e nem cientista mas penso que se a doença é assim tão facilmente evitada porque razão os médicos que tratam dessas pessoas usam fatos saídos de um filme de ficção-científica, porque na Europa e nos EUA se criaram alas de isolamento, porque os doentes são transportados dentro de caixas de transporte herméticas?

A verdade é que o preocupa não é apenas o contacto directo com o doente mas também a forma de transmissão que pode ser feita por contacto com fluídos corporais e não falamos apenas de sangue, esperma e secreções vaginais mas também, antes de começarem a atear as vossas tochas e pegarem nas forquilhas da moral, de saliva, suor, fezes e urina.

O ébola não é a doença "lá dos pobrezinhos ignorantes de África", é um problema muito sério que começou, por um acaso em África e que se veio alastrando. Não é um problema somente de cultura, educação e condição financeira mas um problema que põe em causa a sociedade global e daí surge a necessidade urgente de uma mobilização mundial para impedir uma catástrofe ainda maior.

Se alguém espirrar para a mão e a seguir tocar no varão do metro, quem lhe tocar a seguir pode ficar infectado? O seu filho está na creche e uma criança ficou doente, o seu filho corre perigo? Usa as casas de banho públicas pode ficar doente? Se vai a um restaurante comer com a loiça de alguém infectado correr risco de morrer?

A paranóia está instalada e agora começam a surgir as primeiras vítimas dela. 

Uma enfermeira espanhola que cuidou de um doente infectado num hospital madrileno tocou com a sua luva na cara e adoeceu. Apesar de segundo ela quando foi procurar ajuda quando teve os sintomas ter indicado que tinha tratado de um doente de ébola ninguém lhe deu atenção e pior que isso foi saber antes do próprio médico que a acompanha, através da Internet, o seu diagnóstico.

Os serviços de saúde querem crucificar uma vítima pois lhes pesaria imenso reconhecer o seu fracasso e assim é mais fácil empurrar para a enferma a culpa disto tudo.

Como se não bastasse optaram por abater o cão, o Excalibur, que vivia junto da família da enfermeira.

Os protestos foram imediatos e todos queriam que o cão fosse colocado em isolamento e verificado se realmente estava infectado antes de o executar.

Nada valeu os protestos nem o apelo emocionado do marido da enfermeira pois o cão foi abatido.

Será que fizeram bem? Depende do ponto de vista, se for para humanizar o cão fizeram mal, se o olharem apenas como um animal comum fizeram bem.

Um cão nunca terá o mesmo valor que uma vida humana, apesar de partilharmos o mesmo espaço, de vivermos no mesmo mundo e de o reconhecermos como o ser com capacidade de ter sentimentos num caso de vida ou morte, de perigo para a sociedade ou para a saúde pública nenhum dos seus atributos lhe vale.

O que realmente temo é que esta insensibilidade, se assim lhe quiserem chamar, passe dos animais para as pessoas e que surjam discursos de ódio e de pavor pelo medo irracional e ignorante.

Antes de a sociedade sucumbir e se transformar um bando de "higienizadores sociais" lembrem-se o que vírus pode nos tirar muita coisa mas se perdermos aquilo que nos torna humanos perderemos tudo.

O Cabrito Maltês é um blog de opinião. Se você não gostou do que leu não se apoquente, não escrevemos para agredir mas para lhe dar a conhecer um ponto de vista sobre o assunto. Abstenha-se de comentários insultuosos, de incitamento à violência, de pregação religiosa ou discriminatórios. Se encontrar algo assim o seu comentário será ruminado.



terça-feira, 9 de setembro de 2014

7 frases célebres sobre eleições – e meu comentário sobre elas



De 2 em 2 anos o brasileiro entra nesse processo de desgaste psicológico chamado “eleição” –  também conhecido por seu plural, “eleições”, sob mesmo significado. A cada quatro anos, porém, o desgaste é ainda maior, pois ele/eu/você/nós é/somos obrigados a votar para cinco cargos diferentes (isso quando ainda não tem que votar para dois senadores, totalizando seis escolhas!). Num país onde o cara precisa ter TV a cabo pra poder se livrar de 50 minutos de trocas de ataques pessoais, promessas faraônicas e engraçadinhos que parecem ter fugido do Zorra Total, era bem de se imaginar que algumas ideias muito obtusas fossem consagradas com o passar dos anos. E agora vou fazer um breve comentário sobre algumas delas:



Frase 1: “Voto nulo é antidemocrático”.



Imagine que você é católico (e talvez até seja) e foi confessar alguma coisa com o padre, no confessionário. Ele disse algumas coisas mais ou menos ponderadas e te passou umas orações como penitência. Sabe-se lá por que motivo, você decide contar a mesma coisa que disse ao padre para um amigo, e esse acaba por te condenar de forma muito mais veemente que o próprio padre.



É mais ou menos isso que acontece em relação ao tal do voto nulo. Ainda há, em pleno ano de 2014, quem faça pressão psicológica com os outros, dizendo que o ato de anular seu voto é uma indignidade, quando, afinal, seu voto, nulo ou não, é acima de tudo secreto, e você pode tanto não revelá-lo como até mesmo mentir em quem votou – não estou dizendo que mentir em quem votou é bonito, mas é seu direito. Seu voto, afinal, não é da conta de ninguém!



Mas o voto nulo ainda se torna um fator necessário se considerarmos o país em que vivemos. Quando a república foi proclamada, ainda no século XIX, você precisava pagar para votar – era o capital quem mandava. Hoje, você precisa pagar para não votar – é o capital quem segue mandando. A obrigatoriedade do voto é aquilo que faz nosso sistema eleitoral quase se igualar ao do fim do século XIX. Portanto, se a pessoa não está com vontade de votar – e não fazer o que não tem vontade é um Direito Humano – e também não está afim de pagar uma taxa a um sistema eleitoral canalha para justificar seu não-voto, nada mais válido que anulá-lo. O direito ao voto nulo é uma das poucas coisas de nosso sistema eleitoral esquizofrênico que ainda se dispõe a respeitar a vontade do cidadão comum.



Frase 2: “...mas como você vai cobrar do cara se você não votou?”



Essa frase clássica vem, geralmente, seguida da primeira. A pessoa defende que você TEM, a qualquer custo, que escolher alguém, e que você não terá direito a se manifestar em relação aos atos do político eleito caso não vote.



Grande engano. Todo e qualquer cidadão tem direito a cobrar atitudes dos políticos eleitos, ainda que não tenham sido eleitos com seu voto. Mesmo um jovem de 12 ou 14 anos, que não vota, se já for consciente de sua cidadania, tem sim direito de apoiar, desapoiar ou pressionar alguém que ocupe um cargo político. Afinal de contas, o político é um funcionário público.



Você tem direito a se manifestar em relação a uma atendente de uma repartição pública, mesmo não a tendo ajudado a estudar para o concurso público que a pôs ali? É claro que tem. Com os cargos eletivos acontece da mesma forma. Até porque, muitas vezes o calhorda que inventou uma lei horripilante que você não quer que seja aprovada de jeito nenhum, foi eleito deputado federal ou senador com votos de outro estado. Portanto, mesmo que você não vote ou vote nulo, você tem amplo direito a “cobrar do cara” sim!





Frase 3: “Se não fosse obrigatório, ninguém iria votar!”



Nenhuma ideia é aceita nem rejeitada por todos. O voto obrigatório, por mais que, pela lógica, pareça um contrassenso democrático, é sim defendido por algumas pessoas – até bem mais jovens que eu, para minha surpresa.



Pois bem, imagine que você quer construir uma casa. Você, pela lógica (mais uma vez ela, essa linda), vai querer contratar um pedreiro, ou seja, um cara que se interessa por essa coisa de construção. Por outro lado, você também é livre para colocar em sua obra uma pessoa que não gosta de construção e não tem a menor intimidade com os tijolos. Sua casa pode até ficar pronta, mas não vai ser a mesma coisa.



Com o voto obrigatório acontece isso: o cara que não está interessado em política é alijado de seu direito de não querer se interessar por qualquer que seja o assunto, e acaba sendo obrigado a fazer uma escolha. E sua escolha forçada é colocada em pé de igualdade com a das pessoas que realmente se interessam por política.



A mídia tenta passar a imagem da abstenção como um bicho-papão, mas quando vejo noticiarem que no país tal houve abstenção de mais de 40% da população, acho tudo muito lindo – nada mais libertário do que ver as pessoas se emprenhando em algo apenas quando querem se empenhar. A luta contra a abstenção deveria ser uma bandeira do candidato ao cargo, e não uma imposição jurídica que acaba por ferir à liberdade individual.



Logo, argumentos que defendam o voto obrigatório podem ser válidos por algum ponto de vista – menos o democrático.



Frase 4: “Todos roubam. Pelo menos eu sei que fulano faz algo”.



Mais uma vez, vou retornar ao primeiro item. E, depois de muitas palavras rebuscadas, vou me expressar da forma mais direta possível: TODOS ROUBAM É O CARALHO! Ou você vota em quem você tem total confiança, ou faça o favor de anular seu voto! A experiência de 2013 mostra que sair às ruas e pressionar os “caras” a fazerem algo que realmente faça a diferença é muito mais útil que votar em algum candidato que parece o novo messias na campanha eleitoral, enquanto você, de seu sofá, sabe que ele “rouba mas faz”.



O problema, na verdade, está na ordem da frase “rouba, mas faz”. A frase correta deveria ser “faz, mas rouba”. E se “rouba”, não é bom. Logo, compensa mais participar de movimentos que pretendem pressionar os políticos eleitos do que ajudar a eleger quem você sabe que não merece tanto assim.



Frase 5: “O problema do Brasil é a compra de votos. O cara vai na comunidade pobre e compra voto com uma dentadura, uns litros de gasolina ou um pacote de farinha!”



Ok, acabou sendo mais de uma frase. Mas é o seguinte: já vi gente de iPhone no bolso vender o voto... só digo isso.



Frase 6: “Voto em quem vai ganhar para não perder meu voto”



Ninguém gosta de perder a identidade, a chave do carro ou 100 reais. Ainda há pessoas que aplicam esse mesmo sentimento ao voto. Na falta de algum candidato que tenha conquistado sua simpatia, prefere votar naquele que as pesquisas de intenção aponta como vencedor.



Mais uma vez vemos essa pequena verminose chamada “voto obrigatório” como causadora do resto da doença. Minha opinião é a mesma: se for para você curvar sua vontade diante de uma pesquisa eleitoral, mais vale que você anule seu voto.



Pois não existe essa história de “perder voto”! O voto não é como um vale-pizza que você tem que usar até dia 31 de janeiro, e que depois você encontra na gaveta no dia 2 de fevereiro e grita um “putz, perdi!”. Não. Voto é uma escolha importante. E na falta de tê-la feito a tempo, tanto melhor que se omita de fazê-la. Uma das formas é não votando, coisa que no Brasil gerará uma odiosa multa. Outra forma, é deixando de validar seu voto. Pois como eu disse no ítem 2, você – como qualquer cidadão – sempre terá direito de cobrar satisfações do candidato, ainda que tenha dado seu título de eleitor para os cachorros comerem.



Frase 7: “Deveriam exigir diploma de ensino superior para quem quer se candidatar”



Ao contrário de frases tradicionais, como a primeira e a segunda, a presente frase é um fenômeno bem novo, que vez ou outra ainda presencio em redes sociais.



Acontece que a exigência de uma escolaridade mínima fere a própria ideia de democracia. Teoricamente, o sistema democrático permite que qualquer pessoa acima dos 18 anos pode se candidatar a um cargo eletivo – na prática não é bem assim, é claro, afinal a pessoa que quer se candidatar precisa se submeter às convenções do partido. Mas se um pipoqueiro que fez só até o sexto ano do ensino fundamental quiser se candidatar a algum cargo, ele o fará – pelo menos num mundo perfeito – para querer representar aqueles que vivem em situação semelhante. Deixar os cargos políticos só para quem tem diploma universitário fere qualquer princípio que reze que todos têm direitos iguais.



Até sou sim a favor de não permitir que o cidadão não assuma se não souber ler. Mas aí, vai do empenho do próprio candidato. O sistema deve (ou deveria) cobrar que os candidatos procurassem aprender a ler e compreender textos, já que precisarão lidar com eles. E programas de alfabetização solidária há muitos por aí. Mas exigência de ensino superior é exagero, até porque faculdade não é termômetro de inteligência nem de caráter.



Concordo quando vejo argumentarem que é um mal que as leis sejam feitas por quem não entende delas (geralmente, quem fala isso está ligado, de alguma forma, ao Direito). Mas é para evitar que um semi-analfabeto crie leis absurdas que existem órgãos como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ou ainda a Comissão de Constituição e Justiça do senado. Exigir que os integrantes de tal comissão entendam de leis me parece justo. Mas certos projetos de lei, como os de regulamentação de alguma profissão ou pedido de melhorias para alguma região, nascem mais do conhecimento de causa do que de uma conversa acadêmica.



O Cabrito Maltês é um blog de opinião. Se você não gostou do que leu não se apoquente, não escrevemos para agredir mas para lhe dar a conhecer um ponto de vista sobre o assunto. Abstenha-se de comentários insultuosos, de incitamento à violência, de pregação religiosa ou discriminatórios. Se encontrar algo assim o seu comentário será ruminado.

domingo, 31 de agosto de 2014

Apoios sociais, entre o dever e o poder

DC, britânico, diabético, foi encontrado sem vida no seu apartamento, sem nada no estômago com uma pilha de currículos em cima da mesa e £3,44 na sua conta bancária. A dispensa estava vazia se não se contasse os sacos de chá fora da validade.

Apoio Social


O apartamento não tinha electricidade, o serviço foi cortado por falta de pagamento. Consequentemente DC deixou de poder guardar a insulina no frigorífico o que acabou por se tornar numa tragédia familiar, social e moral.

DC tinha um emprego como qualquer um mas viu-se obrigado a deixar o seu trabalho para cuidar a sua mãe doente. Após a morte da progenitora DC encontrou um novo desafio. Desempregado tentava encontrar um trabalho para que pudesse regressar à vida activa. Faltou a duas entrevistas de emprego e o governo cortou o apoio social.

DC envergonhado nunca pediu ajuda à sua irmã com quem mantinha uma relação distante. DC morreu sozinho.

Actualmente vivemos numa época em que os governos se mostram preocupados com a população dando ajudas financeiras para que estes possam ultrapassar momentos difíceis  contudo, como o dinheiro é limitado e a crise financeira paira no ar, os governos sociais se vêem forçados a retirar ou a diminuir as ajudas.

Entre o poder e o dever

Se o Estado pode ajudar e quer ajudar tudo corre normalmente, o problema começa quando a possibilidade de ajudar e/ou sentimento de obrigatoriedade/solidariedade começam a desvanecer.

Quem trabalha paga impostos, um parte é destinada a um fundo social, conhecido como segurança social ou previdência social. Quando algum infortúnio bate à porta, quem deu procura quem recebeu.

Até quando deve durar a ajuda?

Fornecer ajuda a um determinado indivíduo pode ter 2 resultados.

O primeiro e o desejável é que a ajuda sirva de alavanca para que consiga superar a adversidade. O segundo e menos agradável é que o beneficiário da ajuda estatal considere que o Estado deve manter o apoio até que este possa procurar o que pretende.

Acha ainda que não tem culpa da sua condição empurrando para o Estado um julgamento moral de obrigação e uma vitimização da sua condição tornando-se dependente no mau sentido parasitando recursos.

O Estado não é pai de ninguém

Por muito que custe a ouvir, o Estado não é pai de ninguém e o seu dever de ajudar deve ter isto em mente, contudo é preciso ter em atenção casos como o de DC. O Estado não é pai de ninguém mas é obrigado a proteger.

Onde está a solução?

Infelizmente a solução é inexistente pois erros do Estado e abusadores sempre existirão. Os assistentes sociais fazem avaliações subjectivas com base no que vêem e ouvem.

Um sujeito pode ter casa própria e passar fome e quem mora numa habitação precária pode mentir declarando rendimentos baixos ou criar obstáculos alegando variados factores servindo-se de desculpa a trás de desculpa para continuar a receber ajudas.

O Estado somos todos nós no sentido que este é eleito democraticamente e como tal devemos todos de contribuir para o bem comum.

O dever do Estado é avaliar da melhor forma e deve usar o seu poder para criar regras claras para dar a sua ajuda. A sociedade também não se pode ilibar  de responsabilidades e deve denunciar casos de emergência social.

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sábado, 28 de junho de 2014

Mendigos são como pombos?

No centro de Londres foram colocados pregos no chão para evitar que sem-abrigos se deitassem à porta de lojas. Tal como se faz com os pombos, Londres tentou espantar quem nada tem.

As imagens circularam na Internet a uma velocidade assombrosa, tal como tudo que é colocado on-line mas não deixou ninguém indiferente. Em Londres os sem-abrigos foram tratados como pombos, como uma praga para ser afugentada.

A pressão pública venceu, as pessoas mobilizaram-se contra aquilo que foi um acto desumano e os pregos foram tirados.

Os lojistas e moradores consideram que os sem-abrigos dão mau aspecto à rua, que trazem problemas de segurança. Os humanistas acham que não é daquela que forma que se resolve os problemas e com razão.

Um agricultor coloca um espantalho no meio da seara para evitar que os pássaros comam a sua sementeira e as douradas espigas. Existe um propósito lógico. Querem evitar perdas na colheita ou que ela seja destruída mas que raio de propósito há em tratar mal um outro ser humano?

As lojas alegam perda de lucro, pois as pessoas evitam os sem-abrigos, alegam maus-cheiros e lixo mas os sem-abrigos não conseguem tomar banho todos os dias. Preferem uma atitude cruel do que chamar a intervenção da acção social do país.

Provavelmente a maciez da almofada e dos cobertores deve os fazer esquecer dos outros. Se eles tivessem que se deitar no chão duro tendo como colchão uns pedaços de cartão manchado talvez tivessem uma outra visão sobre o assunto.

Quem é sem-abrigo não merece o nosso julgamento. As inúmeras razões que levam alguém para este destino são demasiado desestruturantes. Elas incluem vícios variados (álcool, drogas, jogo), desemprego, desajustamento psicossocial, abandono e por aí adiante.

O objectivo de uma sociedade evoluída e progressista não é mascarar os problemas existentes. Deve ser cada vez mais a inclusão e não a exclusão. Deve ser a solidariedade e não o egoísmo.


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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Lixo televisivo pode ser bom?

Eis um assunto no qual o consenso parece não existir. De um lado uns argumentam que o lixo televisivo serve apenas para estupidificar a sociedade do outro rebatem que a vida não é apenas noticiários, documentários e "high culture"



O que é lixo televisivo?

Lixo TelevisivoA fantástica categoria que incendeia paixões em comentários espalhados pela Internet incluem reality-show, talk-show com temas sensacionalistas, programas humorísticos com calão e linguagem obscena entre outros. Exemplificado com alguns programas temos Big Brother (em Portugal e no Brasil), Teste de Fidelidade (em Portugal e no Brasil), Casos de Família (Brasil) e Vidas Reais (Portugal).

O que incomoda?

Nestes programas a exibição das pessoas é feita sem qualquer pudor com uma espécie de censura invertida, em vez de cortar o mau, corta-se o lado bom. A privacidade é tomada como perdida e procura-se a ignorância, a parvoíce, a exibição explicita, implícita ou ambígua do sexo e esforçam-se para rebaixar a fasquia moral. Argumentam que querem mostrar a vida tal como ela é e se a vida tem disto porque não mostrar?

Efectivamente a vida tem destas coisas e talvez o que perturbe é o facto de algumas coisas serem tão abjectas que custa a crer que sejam verdade.

Muitos destes programas têm encenação, o que é mostrado encontra-se por vezes viciado para induzir o telespectador a crer em factos que na realidade nunca aconteceram mas o que pode parecer mau pode na realidade ser menos mau.

Populacho vs cultural

Vamos realizar um exercício mental. Um ladrão está a roubar a casa da vizinha e você está ouvir Mozart como o som está alto você não nota nada e o ladrão foge. Numa outra casa ao lado, um outro vizinho está a ver Big Brother com o som alto, também não nota nada e o ladrão escapa.

Qual a moral da história? Muitos conspiracionistas dizem que a classe que se dedica a tráfico de influências (subornos, acordos desleais, pactos nefastos...) aproveitam estes programas ou os promovem na obscuridade das redes de televisão para que as pessoas deixem de ver aquilo que realmente importa mas como no exemplo acima, independentemente de você se focar a ver Big Brother ou a ouvir Mozart se não prestar atenção, o vizinho será sempre assaltado e pode ser que um dia, o vizinho seja você.

Apague o seu televisor ou feche o seu livro.

O facto de você ver Big Brother ou passar os dias a ler Friedrich Nietzsche não o torna superior nem inferior intelectualmente mas apenas se você souber misturar as doses. O que pretendo dizer é que não se deve tomar uma atitude de tudo ou nada.

Quanto mais você conhecer as diversas tonalidades do espectro da sociedade, da vida e do conhecimento mais você aprende e talvez, para a próxima vai baixar o som do seu televisor ou do seu aparelho de som e prestar mais atenção ao que o rodeia.

Um dia você ver aquele ar de malícia na cara de alguém e vai recordar o tal constrangimento passado em algum episódio do Big Brother e você saberá o que por aí vem e se você leu algo e se instruiu saberá como se defender.

Ver os outros é uma boa forma de aprender como as pessoas reagem e funcionam em sociedade. Ler escritos deixados por pensadores, filósofos, poetas, jornalistas, prosadores vai instruí-lo e dar-lhe mais ferramentas para que possa compreender o que vê.

Não seja fundamentalista e aproveite para conhecer mais um pouco mais. Experimente pelo menos uma vez antes de mudar de canal. Não custa nada e até pode ser que você acabe por gostar. Se não gostar então mude de canal.

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Assassino pode ser convertido?

Até quando alguém deve ser ostracizado por um crime que cometeu? Quais os limites que se devem impor a alguém que cometeu um erro, um acto cruel, depois de ter "pago" a sua dívida como determinado por um tribunal?

Em Abril de 1997, GJ (nome fictício), participou num crime que chocou a opinião pública, ele juntamente com 4 companheiros agrediram e queimaram Aldino (nome fictício), um índio, que acabou por morrer pela gravidade dos ferimentos.

Morreu devido aos ferimentos
Anos passados, GJ se inscreveu para ser um agente da autoridade, um defensor do povo, um agende da Polícia Civil do Distrito Federal.

Aprovado nas primeiras etapas do concurso (provas de conhecimento, exames biométricos, avaliação médica e psicológica) surgiu posteriormente a indicação que teria sido reprovado administrativamente na avaliação do seu passado (vida pregressa).

Na altura dos factos, GJ era menor, tinha 17 anos e segundo um advogado, quando GJ completou os 18 anos não ficou nenhum registo. Foi como se nunca tivesse feito qualquer crime.

Se GJ fosse maior na altura em que os factos ocorreram, a lei penal garante que após 5 anos de ter cumprido a sua pena, GJ passaria a ser réu primário e teria a possibilidade de assumir um cargo público como qualquer outro.

Marcado para sempre?

Acredito piamente que algo como o descrito acima possa marcar uma pessoa para toda a sua vida, tanto o criminoso como os familiares da vítima nunca iram esquecer o que aconteceu.

GJ foi julgado em tribunal e, apesar do que podemos achar da qualidade da sentença proferida, aceitou o que lhe foi atribuído.

GJ sonhava ser polícia, defender aqueles que não têm força para o fazer, ser um exemplo daquilo que a autoridade deve ser, uma personalidade recta, firme e com a capacidade de sentir empatia.

Pelo historial vemos que ele, num determinado momento da sua vida não foi aquilo que desejava ser. Com covardia agrediu e queimou, em grupo, um ser humano e os seus actos culminaram em morte. Entregar uma arma GJ seria uma boa decisão?

Até quando deve durar o castigo social?

Eu tenho dificuldade em aceitar que um assassino possa empunhar uma arma porque, na realidade, não há ex-assassinos porque não é possível reverter a sua condição. Por outras palavras, um assassino não consegue devolver a vida ceifada e consequentemente nunca terá o prefixo ex.

Por outro lado, acho que todos em sociedade merecem um lugar. Por frio que possa parecer, se GJ cumpriu a sua pena, ele saldou a dívida e por isso deverá ser tratado como um outro cidadão. Se ele quisesse trabalhar num banco, numa caixa de supermercado, num outro lugar qualquer acho que deva ser aceite (mesmo com o temor dos demais).

Se me perguntarem se ele dever ser aquilo que outrora antagonizou a minha resposta é não.

A dívida da justiça foi paga mas o punição social é perpetua. (In)felizmente GJ jamais poderia ser aceite como agente da autoridade porque na realidade, num momento decisivo ele escolheu o caminho errado.

Na sua opinião até quando deve durar o castigo social? Acha que GJ devia de ser agente polícia? Qual é a sua opinião sobre o assunto?


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