Etiquetas

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Lixo televisivo pode ser bom?

Eis um assunto no qual o consenso parece não existir. De um lado uns argumentam que o lixo televisivo serve apenas para estupidificar a sociedade do outro rebatem que a vida não é apenas noticiários, documentários e "high culture"



O que é lixo televisivo?

Lixo TelevisivoA fantástica categoria que incendeia paixões em comentários espalhados pela Internet incluem reality-show, talk-show com temas sensacionalistas, programas humorísticos com calão e linguagem obscena entre outros. Exemplificado com alguns programas temos Big Brother (em Portugal e no Brasil), Teste de Fidelidade (em Portugal e no Brasil), Casos de Família (Brasil) e Vidas Reais (Portugal).

O que incomoda?

Nestes programas a exibição das pessoas é feita sem qualquer pudor com uma espécie de censura invertida, em vez de cortar o mau, corta-se o lado bom. A privacidade é tomada como perdida e procura-se a ignorância, a parvoíce, a exibição explicita, implícita ou ambígua do sexo e esforçam-se para rebaixar a fasquia moral. Argumentam que querem mostrar a vida tal como ela é e se a vida tem disto porque não mostrar?

Efectivamente a vida tem destas coisas e talvez o que perturbe é o facto de algumas coisas serem tão abjectas que custa a crer que sejam verdade.

Muitos destes programas têm encenação, o que é mostrado encontra-se por vezes viciado para induzir o telespectador a crer em factos que na realidade nunca aconteceram mas o que pode parecer mau pode na realidade ser menos mau.

Populacho vs cultural

Vamos realizar um exercício mental. Um ladrão está a roubar a casa da vizinha e você está ouvir Mozart como o som está alto você não nota nada e o ladrão foge. Numa outra casa ao lado, um outro vizinho está a ver Big Brother com o som alto, também não nota nada e o ladrão escapa.

Qual a moral da história? Muitos conspiracionistas dizem que a classe que se dedica a tráfico de influências (subornos, acordos desleais, pactos nefastos...) aproveitam estes programas ou os promovem na obscuridade das redes de televisão para que as pessoas deixem de ver aquilo que realmente importa mas como no exemplo acima, independentemente de você se focar a ver Big Brother ou a ouvir Mozart se não prestar atenção, o vizinho será sempre assaltado e pode ser que um dia, o vizinho seja você.

Apague o seu televisor ou feche o seu livro.

O facto de você ver Big Brother ou passar os dias a ler Friedrich Nietzsche não o torna superior nem inferior intelectualmente mas apenas se você souber misturar as doses. O que pretendo dizer é que não se deve tomar uma atitude de tudo ou nada.

Quanto mais você conhecer as diversas tonalidades do espectro da sociedade, da vida e do conhecimento mais você aprende e talvez, para a próxima vai baixar o som do seu televisor ou do seu aparelho de som e prestar mais atenção ao que o rodeia.

Um dia você ver aquele ar de malícia na cara de alguém e vai recordar o tal constrangimento passado em algum episódio do Big Brother e você saberá o que por aí vem e se você leu algo e se instruiu saberá como se defender.

Ver os outros é uma boa forma de aprender como as pessoas reagem e funcionam em sociedade. Ler escritos deixados por pensadores, filósofos, poetas, jornalistas, prosadores vai instruí-lo e dar-lhe mais ferramentas para que possa compreender o que vê.

Não seja fundamentalista e aproveite para conhecer mais um pouco mais. Experimente pelo menos uma vez antes de mudar de canal. Não custa nada e até pode ser que você acabe por gostar. Se não gostar então mude de canal.

O Cabrito Maltês é um blog de opinião. Se você não gostou do que leu fique sabendo que também não o escrevemos para o agradar mas sim dar-lhe a conhecer um ponto de vista sobre o assunto. Abstenha-se de comentários insultuosos, de incitamento à violência, de pregação religiosa ou discriminatórios. Se encontrar algo assim o seu comentário será ruminado.


Sem comentários:

Enviar um comentário