O mundo está, mais uma vez, com medo de uma epidemia de proporção bíblica que venha dizimar uma grande parte da população.
São os descendentes dos sobreviventes da peste negra, varíola e gripe espanhola que agora estão apavorados. Tal como naquele tempo, a ignorância pode ser tão letal como a própria doença.
Se na altura da peste negra existia a ideia que bastava usar perto do nariz algumas ervas aromáticas para se proteger de uma doença bacteriana, hoje com o ébola criou-se a ideia que é uma doença de difícil transmissão, uma doença que só se tocar no possuidor da moléstia é que se fica infectado.
Não sou virologista, nem médico e nem cientista mas penso que se a doença é assim tão facilmente evitada porque razão os médicos que tratam dessas pessoas usam fatos saídos de um filme de ficção-científica, porque na Europa e nos EUA se criaram alas de isolamento, porque os doentes são transportados dentro de caixas de transporte herméticas?
A verdade é que o preocupa não é apenas o contacto directo com o doente mas também a forma de transmissão que pode ser feita por contacto com fluídos corporais e não falamos apenas de sangue, esperma e secreções vaginais mas também, antes de começarem a atear as vossas tochas e pegarem nas forquilhas da moral, de saliva, suor, fezes e urina.
O ébola não é a doença "lá dos pobrezinhos ignorantes de África", é um problema muito sério que começou, por um acaso em África e que se veio alastrando. Não é um problema somente de cultura, educação e condição financeira mas um problema que põe em causa a sociedade global e daí surge a necessidade urgente de uma mobilização mundial para impedir uma catástrofe ainda maior.
Se alguém espirrar para a mão e a seguir tocar no varão do metro, quem lhe tocar a seguir pode ficar infectado? O seu filho está na creche e uma criança ficou doente, o seu filho corre perigo? Usa as casas de banho públicas pode ficar doente? Se vai a um restaurante comer com a loiça de alguém infectado correr risco de morrer?
A paranóia está instalada e agora começam a surgir as primeiras vítimas dela.
Uma enfermeira espanhola que cuidou de um doente infectado num hospital madrileno tocou com a sua luva na cara e adoeceu. Apesar de segundo ela quando foi procurar ajuda quando teve os sintomas ter indicado que tinha tratado de um doente de ébola ninguém lhe deu atenção e pior que isso foi saber antes do próprio médico que a acompanha, através da Internet, o seu diagnóstico.
Os serviços de saúde querem crucificar uma vítima pois lhes pesaria imenso reconhecer o seu fracasso e assim é mais fácil empurrar para a enferma a culpa disto tudo.
Como se não bastasse optaram por abater o cão, o Excalibur, que vivia junto da família da enfermeira.
Os protestos foram imediatos e todos queriam que o cão fosse colocado em isolamento e verificado se realmente estava infectado antes de o executar.
Nada valeu os protestos nem o apelo emocionado do marido da enfermeira pois o cão foi abatido.
Será que fizeram bem? Depende do ponto de vista, se for para humanizar o cão fizeram mal, se o olharem apenas como um animal comum fizeram bem.
Um cão nunca terá o mesmo valor que uma vida humana, apesar de partilharmos o mesmo espaço, de vivermos no mesmo mundo e de o reconhecermos como o ser com capacidade de ter sentimentos num caso de vida ou morte, de perigo para a sociedade ou para a saúde pública nenhum dos seus atributos lhe vale.
São os descendentes dos sobreviventes da peste negra, varíola e gripe espanhola que agora estão apavorados. Tal como naquele tempo, a ignorância pode ser tão letal como a própria doença.Se na altura da peste negra existia a ideia que bastava usar perto do nariz algumas ervas aromáticas para se proteger de uma doença bacteriana, hoje com o ébola criou-se a ideia que é uma doença de difícil transmissão, uma doença que só se tocar no possuidor da moléstia é que se fica infectado.
Não sou virologista, nem médico e nem cientista mas penso que se a doença é assim tão facilmente evitada porque razão os médicos que tratam dessas pessoas usam fatos saídos de um filme de ficção-científica, porque na Europa e nos EUA se criaram alas de isolamento, porque os doentes são transportados dentro de caixas de transporte herméticas?
A verdade é que o preocupa não é apenas o contacto directo com o doente mas também a forma de transmissão que pode ser feita por contacto com fluídos corporais e não falamos apenas de sangue, esperma e secreções vaginais mas também, antes de começarem a atear as vossas tochas e pegarem nas forquilhas da moral, de saliva, suor, fezes e urina.
O ébola não é a doença "lá dos pobrezinhos ignorantes de África", é um problema muito sério que começou, por um acaso em África e que se veio alastrando. Não é um problema somente de cultura, educação e condição financeira mas um problema que põe em causa a sociedade global e daí surge a necessidade urgente de uma mobilização mundial para impedir uma catástrofe ainda maior.
Se alguém espirrar para a mão e a seguir tocar no varão do metro, quem lhe tocar a seguir pode ficar infectado? O seu filho está na creche e uma criança ficou doente, o seu filho corre perigo? Usa as casas de banho públicas pode ficar doente? Se vai a um restaurante comer com a loiça de alguém infectado correr risco de morrer?
A paranóia está instalada e agora começam a surgir as primeiras vítimas dela.
Uma enfermeira espanhola que cuidou de um doente infectado num hospital madrileno tocou com a sua luva na cara e adoeceu. Apesar de segundo ela quando foi procurar ajuda quando teve os sintomas ter indicado que tinha tratado de um doente de ébola ninguém lhe deu atenção e pior que isso foi saber antes do próprio médico que a acompanha, através da Internet, o seu diagnóstico.Os serviços de saúde querem crucificar uma vítima pois lhes pesaria imenso reconhecer o seu fracasso e assim é mais fácil empurrar para a enferma a culpa disto tudo.
Como se não bastasse optaram por abater o cão, o Excalibur, que vivia junto da família da enfermeira.
Os protestos foram imediatos e todos queriam que o cão fosse colocado em isolamento e verificado se realmente estava infectado antes de o executar.
Nada valeu os protestos nem o apelo emocionado do marido da enfermeira pois o cão foi abatido.Será que fizeram bem? Depende do ponto de vista, se for para humanizar o cão fizeram mal, se o olharem apenas como um animal comum fizeram bem.
Um cão nunca terá o mesmo valor que uma vida humana, apesar de partilharmos o mesmo espaço, de vivermos no mesmo mundo e de o reconhecermos como o ser com capacidade de ter sentimentos num caso de vida ou morte, de perigo para a sociedade ou para a saúde pública nenhum dos seus atributos lhe vale.
O que realmente temo é que esta insensibilidade, se assim lhe quiserem chamar, passe dos animais para as pessoas e que surjam discursos de ódio e de pavor pelo medo irracional e ignorante.
Antes de a sociedade sucumbir e se transformar um bando de "higienizadores sociais" lembrem-se o que vírus pode nos tirar muita coisa mas se perdermos aquilo que nos torna humanos perderemos tudo.
Antes de a sociedade sucumbir e se transformar um bando de "higienizadores sociais" lembrem-se o que vírus pode nos tirar muita coisa mas se perdermos aquilo que nos torna humanos perderemos tudo.
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