DC, britânico, diabético, foi encontrado sem vida no seu apartamento, sem nada no estômago com uma pilha de currículos em cima da mesa e £3,44 na sua conta bancária. A dispensa estava vazia se não se contasse os sacos de chá fora da validade.
O apartamento não tinha electricidade, o serviço foi cortado por falta de pagamento. Consequentemente DC deixou de poder guardar a insulina no frigorífico o que acabou por se tornar numa tragédia familiar, social e moral.
DC tinha um emprego como qualquer um mas viu-se obrigado a deixar o seu trabalho para cuidar a sua mãe doente. Após a morte da progenitora DC encontrou um novo desafio. Desempregado tentava encontrar um trabalho para que pudesse regressar à vida activa. Faltou a duas entrevistas de emprego e o governo cortou o apoio social.
DC envergonhado nunca pediu ajuda à sua irmã com quem mantinha uma relação distante. DC morreu sozinho.
Actualmente vivemos numa época em que os governos se mostram preocupados com a população dando ajudas financeiras para que estes possam ultrapassar momentos difíceis contudo, como o dinheiro é limitado e a crise financeira paira no ar, os governos sociais se vêem forçados a retirar ou a diminuir as ajudas.
Entre o poder e o dever
Se o Estado pode ajudar e quer ajudar tudo corre normalmente, o problema começa quando a possibilidade de ajudar e/ou sentimento de obrigatoriedade/solidariedade começam a desvanecer.
Quem trabalha paga impostos, um parte é destinada a um fundo social, conhecido como segurança social ou previdência social. Quando algum infortúnio bate à porta, quem deu procura quem recebeu.
Até quando deve durar a ajuda?
Fornecer ajuda a um determinado indivíduo pode ter 2 resultados.
O primeiro e o desejável é que a ajuda sirva de alavanca para que consiga superar a adversidade. O segundo e menos agradável é que o beneficiário da ajuda estatal considere que o Estado deve manter o apoio até que este possa procurar o que pretende.
Acha ainda que não tem culpa da sua condição empurrando para o Estado um julgamento moral de obrigação e uma vitimização da sua condição tornando-se dependente no mau sentido parasitando recursos.
O Estado não é pai de ninguém
Por muito que custe a ouvir, o Estado não é pai de ninguém e o seu dever de ajudar deve ter isto em mente, contudo é preciso ter em atenção casos como o de DC. O Estado não é pai de ninguém mas é obrigado a proteger.
Onde está a solução?
Infelizmente a solução é inexistente pois erros do Estado e abusadores sempre existirão. Os assistentes sociais fazem avaliações subjectivas com base no que vêem e ouvem.
Um sujeito pode ter casa própria e passar fome e quem mora numa habitação precária pode mentir declarando rendimentos baixos ou criar obstáculos alegando variados factores servindo-se de desculpa a trás de desculpa para continuar a receber ajudas.
O Estado somos todos nós no sentido que este é eleito democraticamente e como tal devemos todos de contribuir para o bem comum.
O dever do Estado é avaliar da melhor forma e deve usar o seu poder para criar regras claras para dar a sua ajuda. A sociedade também não se pode ilibar de responsabilidades e deve denunciar casos de emergência social.
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